quinta-feira, 19 de junho de 2008

A Arte da Guerra

Ano após ano, o Fair Play (sim, isso que Jorge Jesus qualificou correctamente como farsa) tem sido a principal preocupação dos senhores que gerem o futebol mundial.
"Respect", envergam na camisola todos os jogadores das 16 selecções presentes no Euro2008.

Tenho a dizer que tudo isso é o maior embuste da História Mundial a seguir, claro está, a esses "vouchers" que garantiam um lugar no céu, umas tais de indulgências...
As partidas de futebol não são jogos. Jogos são aquelas caixinhas de cartão da Majora, que trazem peões e dados, acompanhados de cartões e ampulhetas.
Futebol (e em particular a selecção) é uma necessidade fisiológica. Todo um país, às 19:45, pôs a vida em modo stand-by. Portugal parou e o coração acelerou. Entoou o cântico de guerra, berrou-se "a portuguesa" a plenos pulmões e gritos esperançosos atroaram, cortando o ar muito para lá de Basileia.
Futebol é guerra. E para Sun Tzu, guerra é arte. E como em todas as guerras, há sempre um vencedor e um vencido. Há mortos a enterrar e feridas para curar. E como em todas as obras de arte, há sempre opiniões discordantes, mas jamais indiferença.
E que feridas estas que se tornaram a abrir... A cabeça de Ballack fui um bisturi, um corte incisivo na mutilada alma lusitana. As nossas muralhas cederam perante os Panzers alemães. A nossa cavalaria, infantaria e artilharia depositava a esperança da reconquista num Dom Nun'Álvares Pereira de chuteiras, uma super-estrela, mas que não logrou violar território inimigo. E rezava-se...
Futebol é religião. Façam um compêndio de todos os livros sagrados e não encontrarão um quinto das preçes, orações, pedidos, promessas e afins hoje citados. E tudo isto em 90 minutos.
O problema é que não são só 90 minutos. É a espera de uma vida, encarnada em 10 milhões de vidas, que nos foge por entre os dedos. No campo de batalha, soldados eclipsados (um tal de Bastian Schweinsteiger) podem virar heróis improváveis. Jogo sujo, empurrões pelas costas, valem territórios conquistados. Quando a morte se afigura como um cenário plausível e se vê, simultaneamente, a luz do purgatório, não podemos disfarçar-nos de anjos para nos admitirem no céu. Temos que jogar feio, com uma boa dose de cinismo, sem respeito, apelo ou agrado. Ou então arriscámo-nos a morrer como mártires - muito aplaudidos, mas chacinados impiedosamente.

Quando se trata de matar para não morrer, não se pode falar "Fair Play". Porquê? Porque somos todos humanos. Porque sobreviver faz parte da nossa essência. Optamos pela justiça e pela vitória moral e perecemos.

Agora, suportemos o árduo calvário e confessemos os nossos pecados.

3 Comments:

alegadamente said...

genial... mas um bocado serio...

Hugo said...

concordo totalmente com o Denis...
Mas por ser tão bom nem posso dizer k não devia estar aki...
Para os génios não há limites!
Boa...em vez de estudar administrativo meu cabrão!

Ferreira Ribeiro said...

Bom demais, tendo em conta o tema...